Como o intercâmbio mudou minha vida

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Dizem por aí que “você sempre volta diferente de uma viagem”. Eu discordo. Acredito que é possível ir e voltar exatamente do mesmo jeito. Mas se você realmente quiser, viagens podem ser incríveis ferramentas de transformação, especialmente quando se vive a rotina do lugar. Eu que o diga, afinal, fazer intercâmbio mudou minha vida.

Meu primeiro período fora de casa totalmente sozinha foi em 2009 – há longos 10 anos! Desde então, já foram mais cinco períodos estudando ou trabalhando no exterior. E quando penso na pessoa que eu era antes daquele primeiro intercâmbio pra estudar espanhol em Buenos Aires e comparo com quem sou hoje, vejo um mundo de diferença.  

Como fazer intercâmbio mudou minha vida

1. Superei inseguranças

Antes do meu primeiro intercâmbio, a ideia de passar um longo período sozinha no exterior me dava muito medo. Fui uma adolescente muito ansiosa e insegura e chegava a passar mal quando me sentia fora da zona de conforto. Até que resolvi que não queria continuar me privando de novas experiências por causa da minha ansiedade.

Embarquei pra Buenos Aires com o estômago embrulhado e me perguntando se estava fazendo a coisa certa. Não demorei pra perceber que aquela foi uma das decisões mais importantes da minha vida, afinal, esse “tratamento de choque” foi essencial pra me ajudar a romper a bolha.

Hoje, digo “sim” a situações que me dão medo com muito mais facilidade que antes. Aprendi não só a lidar com o desconhecido e a sensação de que não posso controlar as situações, como a gostar disso. Embarquei em outros intercâmbios e fui, cada vez mais, descobrindo que podia chegar muito mais longe do que pensava.

2. Me apaixonei por viajar só

E não foram só outros intercâmbios que aquela viagem me impulsionou a fazer. Depois desse primeiro gostinho, fiquei viciada em descobrir o mundo. E ganhei um apreço especial por viajar assim, por conta própria, sem esperar que amigos, família ou namorado pudessem ir comigo.

Afinal, o intercâmbio mudou minha vida também por mostrar como é gostoso desbravar o mundo por conta própria. Adoro conhecer gente nova, fazer meus próprios planos, superar meus medos, aprender sobre mim mesma e ter a liberdade de ser quem eu quiser, sem me prender ao que esperam que eu seja.

Quando a gente começa a usar o mundo pra explorar nossos limites, potencialidades e aprendizados, o processo é transformador.

3. Me tornei mais flexível

Pra morar no exterior, mesmo que por um período curto, é preciso jogo de cintura. Você não tem como levar na mala todas as tralhas da sua casa, nem seus amigos e familiares. Não vai encontrar as mesmas comidas com que está acostumado, nem conhecer os caminhos que precisa tomar no dia a dia. Até fazer compras no supermercado pode ser um pequeno desafio.

Talvez você não tenha muita desenvoltura com o idioma, talvez estranhe alguns aspectos da cultura local. Pode ser que não conte com todos os confortos que tem em casa. Se ficar hospedado com um anfitrião local ou com pessoas de outras partes do mundo, vai precisar se adaptar a outros modos de viver. Se quiser viajar durante o intercâmbio sem gastar muito, vai passar um ou outro perrengue.

O que aconteceu comigo depois disso tudo? Fui percebendo que sou muito mais adaptável do que pensava. Me virar com costumes diferentes e aprender a viver sem pequenas facilidades do meu dia a dia foi libertador.

Me lembrei que não posso estar no controle de tudo e que algumas coisas sempre vão dar errado. E também que a forma em que encaramos as situações depende só de nós. Essas vivências me fizeram, enfim, ver a vida de um jeito bem mais leve.

4. Conquistei novas oportunidades

Além da experiência de vida, é claro que fazer intercâmbio também serviu pra me capacitar no objetivo inicial dessa história toda: aprender idiomas. Estudei inglês, francês e espanhol no Brasil por bastante tempo, mas usar as línguas no dia a dia foi muito importante pra que eu alcançasse fluência.

Como consequência, acabei tendo acesso a várias oportunidades de estudo, profissão e vida. Ganhei bolsas pra fazer mestrado fora e pra participar de vários eventos com jovens do mundo inteiro sem gastar nada, consegui freelas e trabalhos voluntários incríveis que exigiam domínio de outros idiomas e fiz grandes amigos de vários países.

5. Questionei padrões

Falando em fazer amigos, não tenho como negar: conhecer pessoas de outras culturas foi uma das principais razões pelas quais o intercâmbio mudou minha vida. Morei, joguei conversa fora, viajei, me apaixonei, estudei, dancei, trabalhei e tomei cervejas, vinhos e sangrias com pessoas com costumes diferentes dos meus.

E fui percebendo, na prática, que somos muito parecidos em essência, mas muito diferentes nas formas de ver e viver a vida. Conheci outras maneiras de comer, se relacionar, trabalhar, conviver com a cidade, educar crianças, cuidar do corpo etc. E, assim, fui desafiando minhas concepções do que achava “certo”, “natural” ou “esperado”.

Fui aprendendo que a vida é feita de muito mais possibilidades do que nossa rotina costuma sugerir. Que, diferentemente do que fazia a maioria dos meus amigos, eu não precisava morar na mesma cidade onde nasci, trabalhar com algo convencional e almejar estabilidade e posses materiais. Ou que não precisava dar tanta importância à aparência quanto nossa sociedade machista me fazia acreditar.

6. Revi preconceitos

Essa revisão de concepções tidas como naturais também me ajudou a rever preconceitos que nem percebia ter, além de sentir ainda mais empatia por pessoas diferentes de mim.

Percebi, na prática, que muitas das coisas que me disseram sobre outros povos e outras formas de viver eram mentiras ou generalizações. E que até pessoas com um background bem diferente do meu podem ter muitas coisas em comum comigo, já que o ser humano costuma estar em busca das mesmas coisas.

A ideia de fronteiras me parece cada vez mais absurda, e a cada vez que me pego pensando no “outro” como um ser muito diferente de mim, paro e lembro do que aprendi nos intercâmbios que já fiz.

7. Reinventei meu emprego

Por fim, não podia deixar de mencionar uma das formas mais palpáveis em que o intercâmbio mudou minha vida. Foi durante um desses períodos no exterior que criei meu blog de viagens, Janelas Abertas. E durante as viagens seguintes, continuei atualizando o site, que inicialmente era um hobby.

Apesar de ser jornalista por formação e ter escrito pra seção de turismo de um importante jornal, nunca me vi como empreendedora e nem criei o Janelas Abertas pensando em ganhar dinheiro. Mas enquanto o blog foi crescendo e fui conhecendo pessoas com empregos não convencionais, percebi que podia reinventar minha forma de trabalhar.

Hoje, o blog é minha principal ocupação. Através dele, continuo aprendendo sobre o mundo e sobre mim. E o que é melhor: fazendo uma pequena diferença na vida de outras pessoas, ao ajuda-las a abrir suas janelas pra o mundo.

Nem todo mundo quer ou precisa criar um blog ou outro canal de produção de conteúdo durante o intercâmbio. Mas acredito que todos podem usar essa experiência pra encarar as coisas de outra forma e se deixar transformar também. Vamos lá?

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