Aprendizado de inglês e trabalho em Cork: a experiência de Wolf

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A possibilidade de estudar inglês e trabalhar legalmente é um dos principais atrativos para quem procura a Irlanda como destino de intercâmbio. Mas quão fácil é encontrar um trabalho em Cork, por exemplo?

Conversamos com Wolf Mooshake, que viajou através da Scool, para saber mais sobre a realidade de trabalho em Cork para estudantes estrangeiros.

Wolf, 21 anos, saiu de Natal (RN) para a Irlanda em julho deste ano. Ele compartilhou conosco várias informações úteis sobre sua experiência de estudos e trabalho em Cork, segunda maior cidade da Irlanda. Confira:

Estudos e trabalho em Cork: a experiência de Wolf

Por que você escolheu fazer seu intercâmbio em Cork?

Em primeiro lugar, escolhi a Irlanda pela possibilidade de estudar e trabalhar legalmente sem precisar já ser fluente em inglês. Escolhido o país, tive que decidir a cidade. Fiquei entre Dublin, Cork, Limerick e Galway, mas descartei logo de primeira Limerick e Galway por serem cidades bem pequenas e com menor oferta de emprego.

Fiquei em dúvida, então, entre Cork e Dublin. Ambas são ótimas, têm todos os serviços necessários, aeroporto e são relativamente grandes para o padrão da Irlanda. No entanto, Dublin é bem maior que Cork.

Entrando em grupos de Whatsapp de estrangeiros na Irlanda vi que o preço de acomodação no país era alto. Pensei que pelo fato de ser uma cidade menor, Cork teria menos brasileiros e a acomodação seria mais barata.

Estava certo e errado. Na minha opinião, as duas cidades têm proporcionalmente a mesma quantidade (alta) de brasileiros. No entanto, acertei quanto à acomodação. Conversando com amigos e vendo anúncios em grupos, achei mais difícil conseguir acomodação barata em Dublin.

Eu pago 400€ por um quarto individual a 5 minutos do centro de Cork. Em Dublin, pelo que vejo, pelo menos preço você mora longe do centro, tendo que pegar ônibus, e ainda divide o quarto com outras pessoas.

Em Cork é mais tranquilo achar acomodação bem mais barata. Além disso, por ser uma cidade pequena dá para fazer tudo a pé porque quase tudo é perto do centro.

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Em que escola está estudando e o que está achando?

Estudo na Cork English Academy. É uma ótima escola, com bons professores e coordenadores. Só sinto falta de aulas externas, que existem em outras escolas. Também não gosto como funciona o sistema de avaliação de nível, porque não há um padrão para que os alunos passem para um nível mais avançado.

Ainda assim, dentre todas as escolas, acredito que a CEA tem um bom custo-benefício. Há outras mais baratas, mas com professores que faltam sempre (de acordo com relatos de amigos) e salas com muitas pessoas. Na minha, cada turma tem no máximo 12 alunos.

Onde você está trabalhando?

Estou trabalhando em outra cidade, Glanmire, que fica a 30 minutos de ônibus de Cork. Trabalho como night porter em um hotel, das 23h às 7h. Meu trabalho é basicamente arrumar os salões de eventos para o dia seguinte. Há 6 salões de eventos no hotel e eu arrumo de acordo com o evento que acontecerá, de sala de aula a casamentos.

Esse foi seu primeiro trabalho em Cork?

Meu primeiro emprego aqui foi limpando uma fazenda onde fizeram uma festa rave. Foi apenas um dia, mas fui trabalhar lá porque eles ofereceram me dar a carta para tirar o número do PPS (Personal Public Service, que é como a carteira de trabalho do Brasil).

Logo depois comprei uma bicicleta e comecei a trabalhar no UberEats fazendo entrega de comida. Era até um trabalho bom no verão, mas agora que começou o frio é mais pesado. Além disso, eu não conseguia fazer 20 horas por semana, então comecei a procurar emprego em local fixo.

Quais são suas dicas para quem busca trabalho em Cork?

Minha dica é tirar o PPS o quanto antes, porque quando se tem esse número é mais fácil de ser aceito em algum trabalho em Cork. O grande lance é que geralmente você consegue esse PPS se conseguir emprego, mas só consegue emprego se tiver o PPS.

Há empregos que te dão a carta para tirar o PPS, mas é difícil. Existe também a opção de fazer cursos que fornecem uma carta para conseguir esse documento e custam cerca de 60 euros.

De qualquer forma, recomendo entregar currículos pela cidade. Minha dica é fazer o currículo ainda no Brasil e quando chegar ir tirar o visto e logo depois já sair entregando.

Entreguei 45 currículos, o que é relativamente pouco para a média das pessoas aqui. A dica é ir distribuindo currículos e falar para toda pessoa que conhecer que você está procurando emprego.

Isso porque também levam muito em consideração a indicação. Se alguém te indica para um emprego, geralmente nem pedem para fazer entrevista; já contratam direto. Eu consegui o meu emprego por indicação: uma amiga me indicou e eles me ligaram à tarde pedindo já para começar a trabalhar à noite.

Vocês podem divulgar essa lista de e-mails de estabelecimentos para enviar o currículo.

E como é o processo para obter o visto chegando em Cork?

Para tirar o visto você precisa de uma carta da escola, extrato da sua conta bancária constando 3000€, passaporte e comprovante de endereço.  Minha dica para tirar o visto mais rápido é já vir com uma conta de banco válida aqui, como o N26. Isso porque o que mais demora é abrir a conta do banco; geralmente é preciso esperar de duas a três semanas.

Quando chegar aqui e estiver na acomodação temporária é só falar com o responsável e pedir o comprovante de residência. Isso costuma ser tranquilo. Com tudo pronto, é só ir na Garda. Recomendo ir cedo, tipo 8h da manhã, porque as filas costumam ser grandes.

Chegando lá, é só esperar sua vez e apresentar os documentos. Eles tiram uma foto sua e você paga o seu visto, que custa 300€. Para isso, tem duas opções: ou paga na hora com o cartão ou eles emitem um boleto para pagar depois. Em seguida, eles carimbam seu passaporte e um mês depois você volta lá para pegar o cartão do GNIB. A partir daí você está apto para trabalhar na Irlanda.

Qual é o salário mínimo na Irlanda?

O valor mínimo da hora trabalhada aqui na Irlanda é hoje 9,80 euros.

Como era seu nível de inglês quando você começou a procurar trabalho em Cork?

Era quase zero. Além disso, eu ainda era muito nervoso para falar. Eu só chegava no estabelecimento com o currículo, falava “Good morning, I’m looking for a job. If you need someone for work this is my CV. Thanks!” e saía. É bem tranquilo: basta respirar fundo, entrar, falar, entregar e sair.

Como está seu inglês hoje?

Está bem melhor. O que sinto mais é o nervosismo por medo de errar, mas com o tempo você vê que não tem problema se errar alguma coisa. Geralmente as pessoas entendem o que quero dizer. Quando estou conversando com amigos eles me corrigem, o que é muito bom.

Meu vocabulário melhorou muito pelo fato que estar em contato direto só com inglês. Hoje minha maior dificuldade é entender os nativos falando. Acho mais fácil compreender os estrangeiros, mas aos poucos estou melhorando.

Dá para conciliar trabalho e estudo sem problemas?

Sim, é tranquilo! O ruim é quando você planeja viajar. No começo a gente não viaja porque não tem emprego ainda, e quando começa a ter grana não viaja porque não tem dias livres.

Minha dica é viajar quando chegar, se possível. Você também pode aproveitar as férias da escola, ou pedir dias de folga nos finais de semana para conhecer outros lugares. Aqui em Cork tem aeroporto e as passagens são bem baratas, então é tranquilo viajar para cidades como Londres na sexta-feira e voltar no domingo, por exemplo.

O que está achando da experiência de intercâmbio em Cork?

Sensacional! Estou adorando entrar em contato com outras culturas, e não só a irlandesa. Como aqui tem muitos intercambistas, você acaba conhecendo pessoas de diversos países e isso é fantástico.

Outro ponto bem legal é conhecer pessoas que estão na mesma situação que você, longe da família e procurando trabalho em Cork. Assim, acabamos criando uma relação muito forte. Tem pessoas aqui que conheci por acaso e vou levar para o resto da vida.

E é claro que também preciso mencionar o aprendizado do inglês. Como falamos o idioma todo dia, acabamos nos acostumando a ele. O que acho mais legal é que muitas vezes já pensamos em inglês e falamos no automático.

Também acabamos aprendendo algumas “artimanhas”. Antes, se eu estivesse conversando com uma pessoa e não soubesse falar o que queria em inglês eu me desesperava. Hoje é diferente: tento falar o que quero, mas com outras palavras. Com o tempo vou ampliando meu conhecimento, mas por enquanto já consigo me comunicar.

Como foi o atendimento da Scool?

A assistência que tive da Scool foi impecável! Antes da minha vinda eles prestaram toda assistência em tudo, tiraram todas as minhas dúvidas e fizeram tudo que podiam para me ajudar a chegar aqui com tranquilidade. E até agora eles entram em contato comigo para saber como estão as coisas.

Quando alguém me diz que quer fazer intercâmbio eu recomendo esta agência sem dúvidas! Não tenho o que reclamar e se fosse que vir de novo viria pela Scool novamente.

Se animou com a história de Wolf e quer fazer intercâmbio na Irlanda também? Entre em contato com a Scool e faça um orçamento sem compromisso!

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